Vendas no varejo paulista caem 18,1% em janeiro

O varejo ampliado no Estado de São Paulo sofreu uma queda de 18,1% no volume de vendas em janeiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2015. Já o faturamento recuou 8,3%.

Os dados são do Boletim n.21 do ACVarejo, levantamento mensal do Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) elaborado a partir de informações da Secretaria da Fazenda do Estado de SP.

A crise do varejo paulista – assim como no resto do País –, é explicada pela queda da renda e pelo aumento do desemprego, além do encarecimento e escassez do crédito. A severidade da contração, porém, é relativamente maior no Estado de São Paulo, que é afetado de forma mais intensa pela queda da produção industrial.

“A pesquisa indica que deverá haver um aprofundamento nas quedas das vendas pelo menos até o primeiro semestre. A crise político-econômica faz com que a confiança do consumidor fique cada vez menor e, portanto, sua disposição para comprar fica bastante comprometida”, analisa Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Segundo o economista e gerente executivo da Associação Comercial e Industrial de Fernandópolis (ACIF), Geraldo Pedro Paschoalini, a retração acontece em todos os segmentos, contudo nos produtos básicos a intensidade é menor, ou seja, naqueles que são essenciais para os consumidores. “Isso ocorre porque o poder de compra dos consumidores está enfraquecido, então o mesmo prioriza o que não pode ficar sem. Analisando os números da nossa região, os dados confirmam a retratação, quando comparados com outras regiões do Estado e até mesmo a Capital. No entanto, alguns índices estão menores. Porém, temos que analisar que as faixas salariais nossas, são menores, temos uma taxa de desemprego muito preocupante, mas com menor prejuízo no contexto geral. Nossa região tem menor oportunidade de emprego e o acesso à qualificação dos trabalhadores, ainda fica abaixo de outras regiões do Estado”, explica.

 Segmentos

Nenhum segmento apresentou saldo positivo no volume de venda em janeiro de 2016, no varejo ampliado, frente a janeiro do ano passado. As maiores retrações foram em lojas de departamento/eletrodomésticos/eletroeletrônicos (-25,7%), concessionárias de veículos (-25,5%), lojas de material de construção (-24,5%) e lojas de móveis e decorações (-20,6%). A intensificação da crise no varejo paulista estende-se até mesmo a setores que comercializam itens mais básicos, como supermercados (-12,1%) e farmácias/perfumarias (-8%). Já quanto ao faturamento nominal, dois setores registraram elevação: farmácias/perfumarias (+1%) e lojas de vestuários/tecidos/calçados (+2,6%).